A experiência aventurosa de uma jornalista sem credencial, com sua narrativa lúdica em forma de conto, sobre o Show do Seu Jorge e a inspirada entrevista com ele, no sábado (23) em Ilhéus.
Por Anna de Oliveira
O dia 23 de abril, sábado de aleluia, não saíra de meus pensamentos, e também dia de São Jorge em Ilhéus. Embora eu já estivesse conformada com o travesseiro de minha cama, em nível oficial aqui no planeta Terra eu não iria para o show de Seu Jorge. Mas alguém lá em cima mexeu seus pauzinhos para que o que se estava aparentemente consumado, se transformasse em uma das melhores coberturas jornalísticas que até então já experimentei. Eis aqui o novo jornalismo, com seu caráter narrativo literário e ao direito minucioso dos detalhes – o jornalista vive a realidade e narra com seu discurso livre e de dentro da alma, o acontecimento. Aviso aos navegantes que é para quem gosta de ler. É que nem um bolo gostoso, a melhor parte é o recheio.
- Tenho uma surpresa para você, disse minha mãe eufórica assim que cheguei em casa pouco mais que as 23 horas.
- Boa ou ruim? Preocupei-me.
- Boooa! Entre risadas ela me aliviava um possível susto, os nervos a flor da pele. Nossa prima ligou, disse que está com enxaqueca e tem duas entradas para o show do Seu Jorge. Perguntou se nós gostaríamos de ir, disse minha mãe. Caridosamente, claro, ela aceitou os ingressos. Eu mal poderia imaginar que esse seria o início de uma carreira que por tantos anos ensaiei os passos na graduação de jornalismo.
- Vamos logo então nos arrumar, está marcado para que horas?, indaguei.
- Aqui no ingresso diz que é às 22 horas, mas você sabe, nunca começa no horário.
- Vá logo se arrumar e venha no meu quarto que vou fazer sua maquiagem, instrui minha mãe como se fosse minha filha, e eu como uma mãe que cuida de sua cria.